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Calculose urinária ou Pedra nos Rins


CALCULOSE RENAL


A calculose urinária doença conhecida desde a época das múmias egípsias apresentou um avanço no seu tratamento somente nos últimos 30 anos com a introdução de métodos menos invasivos e a revolução tecnológica.
A doença calculose renal apresenta diversos fatores epidemiológicos, de dieta e metabólicos que contribuem para a sua formação.
A urina é uma solução que devido ao fluxo urinário modifica-se constantemente sua composição. É mista e saturada porque contém diversas substâncias com concentração acima do coeficiente de solubilidade.A formação do cálculo urinário resulta da alteração desse equilíbrio.
Portanto, a formação do cálculo urinário resulta de modificações na composição físico-química da urina.
Ocorre a possibilidade da formação de cristais na urina, quadro este chamado de cristalúria, fato que pode ocorrer em conseqüência do uso de medicamentos, além das condições da coleta do exame de urina e do tempo que precederam ao exame.
Os cálculos urinários são compostos de oxalato, fosfato, ácido úrico, urato, cistina e xantina. Os mais freqüentes são os cálculos de oxalato de cálcio e fosfato de cálcio perfazendo 80 a 90% dos pacientes.
Os cálculos de ácido úrico são geralmente pigmentados de amarelo, vermelho ou alaranjado. Sua precipitação depende do ph e da concentração da urina. A urina ácida é fator determinante para a precipitação e formação do cálculo de ácido úrico.
Os cálculos de cistina são encontrados em 1 a 2% dos cálculos urinários.Apresentam formato arredondado, são homogêneos, coloração também amarelados. São formados por alteração genética. Em urina alcalina mantém a solubilidade da cistina.
Podemos enumerar os principais fatores que causam a formação dos cálculos como:fatores epidemiológicos – raça, sexo, idade, aspectos nutricionais, clima, profissão e atividade física, sendo os mais preponderantes a herança familiar e os fatores dietéticos.Além disto, os estados de supersaturação urinária, deficiência de fatores inibitórios de cristalização, matriz calculogênica, infecção urinária, alterações anatômicas do trato urinário e associação dos fatores.
Vale citar que o citrato é um importante inibidor da formação dos cálculos de cálcio. A eliminação de baixas concentrações de citrato na urina aumenta o risco na formação dos cálculos urinários.
Na infância a calculose urinária é doença pouco freqüente com sua prevalência subestimada.A alta prevalência da doença em grupos populacionais, com incidência de vários familiares afetados, sugere o fator genético como de grande importância. Fatores ambientais, verão com calor em excesso e fatores dietéticos parecem induzir a formação de calculose urinária como o excesso de sal, carbohidratos e proteínas.
Baseado nos recentes conhecimentos das alterações metabólicas envolvidas na gênese do cálculo renal para a busca de uma prevenção orienta-se a realização de uma investigação clínica laboratorial para a correção dos fatores desencadeantes.

Episódio agudo de cólica renal
– O quadro clínico de dor em cólica de predomínio em região lombar com irradiação para o abdômen e genitais é típico da dor de cólica renal.Pode ser motivado por uma atividade física ou de início inesperado.Confundida freqüentemente com a dor de coluna lombar distingue-se da mesma,pois esta permite a melhora da sensação em posições do corpo específicas. Já, a cólica renal não permite uma posição determinada para a melhora da dor o que mobiliza o paciente à procura angustiada de uma posição adequada e sem sucesso.
Em crianças, devemos lembrar que o quadro predominante é de uma dor abdominal difusa e inespecífica.Quando o cálculo urinário apresenta-se em posição do ureter terminal junto à bexiga ,os sintomas freqüentes são de aumento da freqüência urinária com baixos volumes e sensação do não esvaziamento vesical.Quando o cálculo apresenta-se na bexiga podem ocorrer episódios de obstrução urinária e a conseqüente dificuldade para urinar.
Associado ao quadro de dor o paciente pode apresentar náuseas e vômitos controlados com antieméticos de uso endovenoso.
Na fase aguda, indica-se para o diagnóstico a realização de um exame de urina tipo 1, ultra-sonografia e mais recentemente como o melhor exame a tomografia computadorizada helicoidal sem a necessidade do uso do contraste endovenoso.
No quadro agudo da cólica severa orienta-se a utilização de analgésicos potentes e antiespamódicos para o controle da dor.
Deve-se afastar como diagnósticos diferencias a cólica biliar, úlcera gastroduodenal, diverticulite aguda, pancreatite aguda, cisto de ovário roto ou torcido ou hemorrágico em mulheres, prenhez ectópica, hérnia inguinal, e doenças agudas de coluna vertebral.

Litotripsia Extracorpórea por ondas de choque – Os primeiros estudos sobre as ondas de choque começaram na Alemanha no início da década de 60, quando os físicos realizaram uma pesquisa sobre as rachaduras na fuselagem de aviões bélicos.Os laboratórios “Dornier” lideraram pesquisas de um sistema capaz de reproduzir as ondas de choque inicialmente com o objetivo militar. Porém, em fins da década de 70, concluiu-se que as ondas de choque poderiam ser utilizadas em humanos. Em 1980 foi realizado o primeiro tratamento clínico na Alemanha. Em 1984 após tratar 1000 pacientes foi conseguida a autorização do fda para uso experimental nos EUA.
No Brasil em 1986 iniciou-se o uso da litotripsia extracorpórea por ondas de choque como um tipo de tratamento para a fragmentação dos cálculos urinários.
Atualmente existem inúmeras máquinas em nosso meio e corresponde a forma mais utilizada para o tratamento ambulatorial com o objetivo de fragmentação dos cálculos urinários e a possibilidade da eliminação espontânea das pedras.


Dr Maurício Hachul

 




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